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União das freguesias de Freixo de Espada à Cinta e Mazouco

Fronteira transmontana de amendoeiras, luz dourada e silêncios largos.
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o que ver

sobre a localidade

No extremo oriental de Trás-os-Montes, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, esta união de freguesias estende-se por socalcos de amendoeiras e oliveiras, junto à fronteira. A Igreja Matriz de Freixo de Espada à Cinta, classificada como Monumento Nacional e com elementos manuelinos, é o seu marco maior. Em Mazouco guardam-se gravuras rupestres, reconhecidas como sítio de interesse público.

história

No extremo oriental de Trás-os-Montes, onde a terra se dobra em socalcos e o sol parece demorar-se mais do que em qualquer outro canto do país, estende-se a União das Freguesias de Freixo de Espada à Cinta e Mazouco. É uma terra de fronteira, de luz dourada e de silêncios largos, onde duas localidades vizinhas partilham o mesmo horizonte amendoado e a mesma teimosia de quem vive agarrado à beleza áspera destas serras. Freixo de Espada à Cinta guarda, nas suas pedras, memórias que atravessam gerações. É uma vila de ruas que sobem e descem ao ritmo do terreno, de casas antigas que ainda contam, nos seus brasões e portais, o passo lento dos séculos. Aqui as gentes aprenderam a cultivar o que a terra dá sem reclamar: a amendoeira, que floresce em branco e rosa quando o inverno ainda não desistiu, e a oliveira, que resiste ao frio e ao calor com a mesma dignidade. Mazouco, por seu lado, é terra mais recolhida, de aldeia que vive devagar, onde o campo e a casa se tocam e onde o quotidiano ainda tem o compasso das estações. Juntas, estas duas localidades formam um território que não se visita à pressa — pede-se tempo, pede-se olhar demorado. O património destas terras é dos que ficam na memória. A Igreja Matriz de Freixo de Espada à Cinta é motivo de orgulho e marco maior desta paisagem: classificada como Monumento Nacional, ergue-se com a solenidade de quem foi erguida para durar e para elevar os olhos de quem passa. É daqueles templos onde a arte e a fé se abraçam, e onde cada detalhe foi pensado para resistir ao esquecimento. Perto, a Igreja do Convento de São Filipe Nery acrescenta outra camada de recolhimento e devoção a esta vila que soube guardar o sagrado nas suas pedras. E porque a história destas terras também se tece com fios — literalmente —, o Museu da Seda e do Território conta a memória de um saber antigo, de uma atividade que marcou gentes e paisagem, e que hoje se preserva para que não se perca o rasto de quem fiou e teceu aqui o seu sustento e a sua arte. As tradições desta terra têm raízes fundas e um ritmo próprio, ligado ao calendário e às estações. Entre os costumes que melhor definem a alma do lugar está um ritual que se cumpre ao longo das sete sextas-feiras que se seguem ao Carnaval — um tempo marcado, de repetição paciente, em que a comunidade se reconhece nos seus gestos herdados. São estes rituais, feitos de fé e de pertença, que mantêm viva a identidade de quem aqui nasceu e de quem aqui regressa, ano após ano, para não deixar morrer o que os antigos ensinaram. À mesa, estas terras oferecem o melhor do que a natureza dá e do que as mãos sabem transformar. O vinho corre generoso, companheiro de qualquer convívio, e a amêndoa — rainha destes campos — entra nos doces tradicionais que adoçam as festas e os dias de visita. O azeite e as azeitonas, colhidos das oliveiras que pontilham a paisagem, dão sabor e carácter a tudo o que se cozinha. A gastronomia é de raiz transmontana, honesta e reconfortante: as sopas artesanais, feitas de tomate, de alho, de batata, de ovo ou de espargos, aquecem o corpo e a conversa; a posta, grelhada com simplicidade e respeito pela carne, enche o prato de sabor; o borrego assado chega às ocasiões especiais com o aroma que anuncia festa; os pratos de caça lembram a ligação antiga destas gentes à terra e às suas estações; e as feijoadas servem-se fartas, para dar força a quem trabalha e alegria a quem se senta à mesa. É uma cozinha que não precisa de artifícios — basta-lhe a qualidade do que a terra produz e a mão de quem cozinha com memória. Visitar Freixo de Espada à Cinta e Mazouco é deixar-se levar por um Portugal que resiste no seu lugar, fiel a si mesmo. É sentir a fronteira sem a atravessar, provar a amêndoa recém-colhida, entrar numa igreja onde o tempo abrandou e sair com a certeza de que há terras que não se esquecem.