sobre a localidade
A oriente da cidade de Braga, a União das freguesias de Este reúne as antigas São Pedro e São Mamede, que durante séculos partilharam o mesmo nome e o mesmo chão fértil. São Pedro de Este tem registos que recuam ao século XI, tendo sido vigararia antes de reitoria, e nela assenta hoje o centro administrativo. São Mamede, onde nasce o Rio Este, guarda nos seus caminhos vestígios de antigas vias romanas.
história
Há terras que se guardam no tempo com a discrição de quem não precisa de alarde para ser importante. Assim é Este, nascida da união de duas antigas povoações que durante séculos partilharam o mesmo nome e o mesmo chão fértil a oriente de Braga: São Pedro de Este e São Mamede de Este. São duas raízes que se entrelaçaram numa só árvore, e é justo que se fale de ambas com igual carinho, porque cada uma trouxe para esta casa comum a sua memória, as suas pedras e as suas gentes.
São Pedro de Este tem referências que recuam a tempos muito antigos, com registos que chegam até meados do século XI. Foi vigararia antes de se tornar reitoria, sinal de uma vida religiosa enraizada e de uma comunidade organizada em torno do seu templo e do seu santo padroeiro. É nesta antiga São Pedro que hoje se encontra o coração administrativo da freguesia, como se o passado tivesse escolhido onde haveria de assentar o presente.
São Mamede de Este, por seu lado, estende-se a poucos quilómetros a nascente da cidade de Braga e carrega nos seus caminhos marcas de uma ocupação humana muito recuada. Guarda vestígios de antigas vias romanas, dessas estradas que outrora ligavam povos e mercadorias e que fizeram desta região do Minho um cruzamento de passagens e de histórias. Quem percorre estes lugares pisa, sem muitas vezes o saber, o mesmo solo que viu passar caminhantes de há dois mil anos.
A história de Este é, antes de tudo, a história das suas gentes: lavradores que trabalharam a terra generosa do Minho, famílias que ergueram as suas casas junto às igrejas, comunidades que se reuniram em torno da fé e do trabalho. É um povo da proximidade de Braga, beneficiando do folgo da grande cidade sem perder o sossego e a cadência do campo. Aqui, a vida sempre teve o ritmo das estações e o calor das vizinhanças.
Estando tão próxima de Braga, Este partilha o imenso legado patrimonial e espiritual da cidade dos arcebispos. A poucos passos erguem-se monumentos que são orgulho de todo o Minho: a Sé Catedral de Braga, uma das mais veneráveis de Portugal; a Igreja de Santa Cruz e a Igreja da Misericórdia, com os seus interiores de talha e devoção; o majestoso Arco da Porta Nova, que abre as portas ao casco histórico. Passeia-se pela Rua do Souto e pela elegante Avenida da Liberdade, admira-se o Largo Carlos Amarante e a antiga Torre de Menagem, visitam-se a Capela de São Bento e a Capela de Nossa Senhora da Piedade, recolhe-se o silêncio de um claustro antigo. É este o horizonte cultural em que Este se inscreve, bebendo da seiva de uma das cidades mais nobres do país.
Nas tradições e costumes, Este vive ao compasso de uma terra profundamente minhota, onde a fé e a convivência caminham de mãos dadas. O distrito de Braga é célebre pelos seus arraiais, pelas suas romarias e pela religiosidade que atravessa o ano inteiro, com a solenidade incomparável da Semana Santa de Braga como momento maior de recolhimento e de beleza. É neste espírito de celebração, de devoção e de encontro entre vizinhos que as gentes de Este preservam a sua identidade e a passam de geração em geração.
E porque no Minho a mesa é lugar sagrado, a gastronomia de Este partilha a riqueza da cozinha bracarense, farta, variada e preparada com frescura e carinho. O bacalhau reina nas ocasiões festivas, com o célebre bacalhau à Braga a honrar qualquer convívio. Mas há muito mais para saborear: os rojões com porco bísaro, as papas de sarrabulho, o cabrito assado à moda de Braga, a vitela assada acompanhada do seu arroz, tudo pratos que enchem a casa de aromas e de calor. O vinho verde da região, fresco e leve, é o companheiro natural destas iguarias. E para fechar à boa maneira minhota, nada melhor que a doçaria: o sublime pudim Abade de Priscos, os doces de romaria e os biscoitos secos que sabem a festa e a memória de infância. Em Este, como em todo o Minho, comer bem é uma forma de hospitalidade e de amor à terra.