sobre a localidade
No concelho de São Pedro do Sul, distrito de Viseu, Figueiredo de Alva espalha-se por lugares de nomes cantados — Fermontelos, Ladreda, Ucha e Cigana —, entre socalcos e casario serrano. A Ermida do Paiva, monumento românico do século XII, é uma das marcas mais antigas destes montes, onde a vida se mede pelo passo das estações e pelo trabalho da terra e do gado.
história
Há terras que se descobrem devagar, ao ritmo dos caminhos que sobem por entre socalcos e casario, e Figueiredo de Alva, no concelho de São Pedro do Sul, é uma dessas. Espalhada por lugares de nomes cantados — Fermontelos, a própria sede de Figueiredo de Alva, Ladreda, Ucha e Cigana —, a freguesia guarda o sossego das aldeias serranas do distrito de Viseu, onde a vida ainda se mede pelo passo das estações e pela paciência de quem trabalha a terra.
A memória desta terra faz-se do dia a dia das suas gentes, gente ligada ao campo, ao gado e às pequenas lidas que se transmitem de geração em geração. É uma freguesia que soube manter viva a escola, com a sua Escola Básica de Figueiredo de Alva a acolher os mais novos no pré-escolar e no primeiro ciclo — sinal de que aqui há futuro e há crianças a crescer entre os montes e os campos que os avós lavraram. A Junta de Freguesia, hoje presidida por António José Pereira Rocha, é o coração administrativo de uma comunidade que se orgulha das suas raízes, expressas até no brasão, onde um listel branco ostenta em letras negras o nome da terra, e na bandeira azul de cordões prateados e azuis, haste de ouro e lança, como quem hasteia a própria identidade.
Quem chega a estas paragens não fica indiferente ao património que aqui se acumulou ao longo dos séculos. A Ermida do Paiva, monumento românico que remonta ao século XII, é uma das jóias mais antigas destes lugares, testemunho de pedra de uma fé que atravessou o tempo. A Igreja Matriz de Figueiredo de Alva impõe-se como referência da vida religiosa local, e a Capela de Nossa Senhora das Necessidades acrescenta a sua devoção discreta ao rosário de casas de culto que pontuam a freguesia. São edifícios que valem uma visita não só pela arte, mas pela alma que neles se depositou, missa após missa, romaria após romaria.
Mas nem só de pedra sagrada vive esta terra e a região que a envolve. Nos arredores de São Pedro do Sul há tesouros que despertam a curiosidade de qualquer viajante: a Livraria da Pena, um sítio geológico onde os estratos de quartzito se dispõem como livros empilhados numa estante esquecida pela natureza, é um espetáculo que faz pensar. Não muito longe, a Pedra Escrita em Serrazes, o Castro da Cárcoda, o Convento de S. Cristóvão de Lafões, a Casa das Malafaias e a Quinta da Comenda compõem um mosaico de solares, castros, conventos e capelas que contam, cada um à sua maneira, a longa história humana destas serras. É um convite a percorrer os caminhos com vagar, a parar em cada lugar e a deixar que a paisagem fale.
As tradições em Figueiredo de Alva mantêm-se vivas graças ao empenho de uma comunidade que gosta de se reunir e de preparar em conjunto as suas celebrações. A vontade de festejar, de juntar vizinhos e de fazer da terra um palco de convívio é parte do carácter destas gentes, que trabalham arduamente e sabem também celebrar com igual entrega. É nesse espírito coletivo, feito de mãos que ajudam e de ruas que se enfeitam, que se percebe o quanto aqui se ama o lugar.
À mesa, Figueiredo de Alva partilha com todo o concelho de São Pedro do Sul uma cozinha de raiz, honesta e reconfortante. O sarrabulho e o cabrito são pratos de festa, cozinhados com o tempo e o saber de quem não tem pressa. A doçaria mostra o seu lado mais caseiro no arroz doce polvilhado de canela e no folar da Páscoa, que perfuma as casas em dias de celebração. E há dois nomes que enchem de orgulho estas terras: o Cabrito da Gralheira, com selo IGP, e a Carne Arouquesa, com denominação de origem protegida — carnes de qualidade reconhecida, criadas nestes montes e levadas ao lume com paciência, para que o sabor se solte lento e verdadeiro. Provar estes pratos é provar a própria terra, com tudo o que ela tem de generoso e autêntico. Figueiredo de Alva fica, assim, na memória de quem a visita: pela pedra, pelos sabores, pela gente que a faz.