sobre a localidade
No coração do planalto transmontano, no distrito de Bragança, Vimioso é a sede do seu concelho e guardiã da antiga fronteira oriental do reino. Em 1516, uma carta de foral de D. Manuel I elevou-a a vila. Em 1492, acolheu judeus expulsos de Leão e Castela, que aqui encontraram novo lar. A Igreja Matriz, dedicada a São Vicente, é o seu centro religioso, entre colinas de oliveiras santulhanas.
história
Há terras que se adivinham logo pela luz e pelo silêncio dos montes, e Vimioso é uma dessas. Encravada no coração do planalto transmontano, no distrito de Bragança, esta vila guarda nas suas pedras a memória de quem por aqui passou muito antes de a história ter nome. Os vestígios espalhados pelo território — povoações pré-históricas e castros fincados nas alturas — contam-nos que estas colinas foram habitadas desde tempos imemoriais, por gentes que escolheram a aspereza e a grandeza deste chão para erguer casa.
A posição de Vimioso, tão próxima da raia, fez dela guardiã da fronteira oriental do reino. O seu castelo, lado a lado com o de Algoso, integrava a linha de defesa que velava pelas terras de leste, sentinela de pedra contra tudo o que vinha do outro lado. Esta vocação de fronteira marcou o carácter da terra e das suas gentes, habituadas a resistir e a perseverar.
No final do século XV, Vimioso acolheu uma das suas páginas mais comoventes. Em 1492, muitos judeus expulsos de Leão e de Castela, depois de acamparem em Cabanas, encontraram aqui refúgio e novo lar. Trouxeram consigo saberes, ofícios e uma presença que ficou entranhada na memória do lugar. Pouco depois, em 1516, uma carta de foral de D. Manuel I elevou Vimioso a vila, reconhecendo-lhe dignidade e estatuto. Ao longo dos séculos, a vila esteve historicamente ligada aos concelhos vizinhos de Miranda do Douro e de Mogadouro, parte de uma mesma teia de raia e de identidade mirandesa. Já no século XX, como tantas terras do interior, Vimioso viu partir muitos dos seus filhos rumo ao Brasil e à Europa, numa diáspora que esvaziou ruas mas que nunca cortou o cordão que liga os emigrantes ao torrão natal.
Quem percorre Vimioso descobre um património que respira fé e história. A Igreja Matriz, dedicada a São Vicente, é o coração religioso da vila, ponto de encontro de gerações. Em redor, erguem-se as pequenas capelas que pontilham o território e que são tesouros de devoção popular: a Capela de Nossa Senhora do Castelo, a de Santa Luzia, a de Santo Amaro, a de Santo Cristo e a de São José, cada uma com a sua teimosa presença branca sobre o verde e o ocre da paisagem. Em Campo de Víboras, a Capela de Santa Bárbara guarda a mesma vocação de abrigo e oração. E, pousada no alto como olho atento sobre a terra, a Atalaia de Vimioso recorda os tempos em que daqui se vigiava o horizonte, prolongando a antiga alma de fronteira.
As tradições de Vimioso vivem ao ritmo do calendário e do coração. Aqui respeitam-se os costumes ancestrais com uma fidelidade que atravessa gerações: os Santos, o Natal, o Carnaval e a Páscoa marcam o compasso do ano e reúnem as famílias em torno de gestos herdados dos avós. São momentos em que a comunidade se reencontra consigo mesma, em que os que partiram regressam e em que a terra se enche outra vez de vozes, de música e de convívio. Nestes costumes mora a verdadeira identidade de Vimioso, feita de memória partilhada e de orgulho na raiz.
E depois há a mesa, essa linguagem universal com que Vimioso recebe quem a visita. A terra orgulha-se dos seus produtos genuínos, com o azeite e a azeitona da variedade santulhana a reinarem entre os sabores da região. É um azeite de carácter, nascido de oliveiras que resistem ao frio e à seca do planalto, e que traz consigo todo o perfume desta terra áspera e generosa. Para dar a conhecer esta riqueza, a vila dispõe de um Centro de Produtos Locais e Tradicionais, dedicado a promover a gastronomia e os pratos típicos feitos com o que a terra dá. Nos restaurantes de Vimioso, como a casa d'A Vileira, servem-se as iguarias regionais preparadas com ingredientes locais, pratos honestos e saborosos que contam, em cada garfada, a história de um povo que soube transformar a dureza do clima em fartura à mesa. Comer em Vimioso é provar o planalto inteiro, com a sua paciência, a sua força e a sua alma.