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União das freguesias de Trouxemil e Torre de Vilela

Duas terras irmãs à beira do Caminho de Santiago, no concelho de Coimbra.
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o que ver

sobre a localidade

Encostada ao concelho de Coimbra, a União das Freguesias de Trouxemil e Torre de Vilela reúne duas localidades de raízes antigas, entre igrejas matrizes, capelas e quintas ainda ativas na lida agrícola. Trouxemil recua a memória documentada de tempos longínquos; Torre de Vilela liga-se à figura de José Seabra da Silva e à sua igreja dedicada a São Martinho. Por aqui passa o Caminho de Santiago.

história

Há terras que se descobrem devagar, ao ritmo de quem passa e se demora, e a União das Freguesias de Trouxemil e Torre de Vilela, encostada ao concelho de Coimbra, é justamente uma dessas. Duas localidades, dois nomes, duas histórias que se dão as mãos sem que nenhuma perca a sua voz própria. Aqui, quem chega encontra o sossego dos lugares que sabem quem são. Trouxemil guarda raízes muito antigas, com memória documentada que recua a tempos longínquos, quando estas terras já eram habitadas e nomeadas. É gente de continuidade, que passou de geração em geração o apego ao chão que lavra e às pedras que ergueu. Torre de Vilela, por seu lado, tem também a sua caminhada própria e o seu percurso feito de trabalho, de fé e de vizinhança — uma terra que soube afirmar-se e ganhar identidade ao longo do tempo. São duas comunidades irmãs, cada uma com o seu carácter, cada uma com o seu perfil no horizonte de Coimbra. Quem anda por estes lados percebe depressa que a fé deixou marcas fundas na paisagem. A Igreja Matriz de Trouxemil e a Igreja Matriz de Torre de Vilela são pontos de referência, lugares onde a pedra guarda o rumor de séculos de orações e onde as gentes se juntaram nos momentos que contam. Espalhadas pelo território, várias capelas dão à terra um recolhimento particular: a Capela de Nossa Senhora das Neves, em Trouxemil, a Capela de Nossa Senhora do Loreto e a Capela do Espírito Santo, pequenos altares de devoção que os moradores tratam com carinho e nos quais se cumprem promessas antigas. Mas talvez o traço mais singular destas terras esteja no caminho que por elas passa. A União das Freguesias de Trouxemil e Torre de Vilela vive à beira do Caminho de Santiago, essa rota milenar percorrida por peregrinos que atravessam Portugal rumo a Compostela. Não é ligação de somenos: o Mural dos Caminhos de São Tiago celebra precisamente essa passagem, lembrando a todos que por aqui desfilaram, e continuam a desfilar, os passos de quem procura destino e sentido. Andar por estas estradas é, de certo modo, pisar as mesmas pegadas de milhares de romeiros ao longo dos séculos — e há poucas heranças mais bonitas do que essa, a de ser terra de passagem e de acolhimento. As tradições destas gentes falam de partilha e de mesa farta. Há um orgulho evidente naquilo que a terra dá e no modo como se prepara, um saber que se transmite de mãos para mãos e que junta famílias e vizinhos à volta do lume. É nesse gesto de dar a provar o melhor da terra que se percebe a alma destas comunidades — hospitaleiras, comunitárias, apegadas aos sabores que as definem. E é à mesa que Trouxemil e Torre de Vilela se revelam por inteiro. Estamos em terras próximas da tradição bairradina, e isso nota-se no prato: o leitão, dourado e crocante, é rei absoluto, servido como manda a regra da região. Ao lado, a chanfana de sabor intenso, os espetos assados no ponto, e as enguias que trazem à memória as águas e os alagados. Há ainda pratos de saber humilde e profundo, como a cabidela de leitão, que aproveita tudo com engenho, e as papas labersas, iguaria que remete para a cozinha antiga, feita de paciência e de tempo. São sabores que contam a história de quem os cozinha muito antes de chegarem à boca. Pelas terras encontra-se quem sabe honrar esta cozinha. Casas como o Restaurante Santos, o Restaurante Típico Adega do Leite, o Restaurante Tó Ferreira, o O Machado, o Restaurante Albatroz, o Restaurante Fornos de São Domingos e o Restaurante O Sargento mantêm vivas as receitas da região, servindo à mesa aquilo que as gentes daqui aprenderam a fazer bem. Sentar-se numa destas casas é aceitar um convite: o de perceber, garfada a garfada, por que razão estas terras se orgulham tanto do que põem no prato. No fim, a União das Freguesias de Trouxemil e Torre de Vilela é isto — duas localidades com raízes fundas, igrejas e capelas que guardam a fé, um caminho de peregrinos que atravessa a paisagem, e uma mesa generosa que resume tudo o que estas gentes são. Terra de passagem e de permanência, vale bem a demora de quem por ela se deixar levar.