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Brasão de São Martinho

São Martinho

Entre a serra e o mar do Funchal, terra de fé e vinho novo.
1 festa registada nesta freguesia
desenho de Rockysantos · Public domain · via Wikimedia Commons · fonte

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o que ver

sobre a localidade

Uma das maiores freguesias do concelho do Funchal, São Martinho estende-se entre a montanha e o Atlântico, no regaço soalheiro da capital madeirense. Ganhou vida própria em 1579, ao separar-se de São Pedro, e cresceu ao longo dos séculos até se tornar num dos rostos mais vivos da cidade. No seu coração ergue-se a Igreja de São Martinho, construída na primeira metade do século XVIII.

história

No regaço soalheiro do Funchal estende-se São Martinho, uma das maiores freguesias do concelho, terra generosa onde o mar e a montanha se dão as mãos. Nascida de um decreto que, em 1579, lhe conferiu vida própria depois de se separar de São Pedro, esta freguesia foi crescendo ao longo dos séculos até se tornar num dos rostos mais vivos e acolhedores da capital madeirense, com uma presença turística que hoje atrai gentes de todos os cantos do mundo. A história de São Martinho é também a história das suas gentes, de uma comunidade que soube manter as raízes bem fundas enquanto abria os braços a quem chega. É uma terra que celebra com orgulho a sua longa caminhada — e que, ao completar quatro séculos e meio de existência, o faz com a alegria própria de quem conhece o valor da memória: encontros, momentos de convívio, uma missa solene e sessões que juntam vizinhos e amigos à volta daquilo que é comum a todos. Há nesta freguesia um sentido de pertença que se respira nas ruas e nos caminhos, e que resiste ao passar do tempo. O património de São Martinho é dos que ficam na memória de quem passa. No coração da freguesia ergue-se a Igreja de São Martinho, construída na primeira metade do século XVIII, testemunha serena de gerações de fiéis e guardiã da fé local. Mas a devoção não se esgota num só templo: pelo território semeiam-se capelas de nomes que soam a oração antiga — a Capela da Boa Viagem, a Capela das Almas Pobres, a Capela das Babosas, a Capela de Nossa Senhora das Angústias e a Capela de Nossa Senhora das Neves. Cada uma delas guarda a sua própria história e o seu próprio silêncio, convidando o visitante a abrandar o passo. Para quem ama a paisagem, São Martinho e os seus arredores oferecem miradouros que cortam a respiração. Do Miradouro do Ninho da Manta, o olhar perde-se nas alturas e nos abismos da ilha. O Caminho Fino, na aresta da Pedra Rija, desafia os caminhantes mais destemidos, enquanto o majestoso Pico do Areeiro recorta o céu da Madeira. Mais abaixo, o Porto de Câmara de Lobos e a Zona Velha do Funchal estendem-se como postais onde o azul do Atlântico se mistura com o colorido das casas e o bulício das gentes. É uma terra que se vive tanto no alto das serras como à beira do mar. As tradições de São Martinho têm o calor de uma fogueira e o aroma inconfundível das castanhas a assar. Aqui, quando chega o tempo certo, honra-se o magusto: gentes que se reúnem à volta do lume para saborear a última colheita de castanhas, enquanto se provam os vinhos novos, acabados de nascer das vinhas da ilha. É um costume que junta famílias e vizinhos, que faz do convívio um ritual e do partilhar um gesto natural. O bacalhau surge também como protagonista de refeições comunitárias, selando à mesa aquilo que a comunidade tem de mais bonito — a companhia uns dos outros. A gastronomia de São Martinho é um hino aos produtos da terra e aos sabores que atravessam gerações. Nas suas mesas servem-se pratos tradicionais madeirenses, feitos com o cuidado de quem cozinha com a alma: o carré de borrego acompanhado de castanhas e ervas aromáticas, ou o frango assado à moda da região, temperado com alho e orégãos que perfumam o ar. Há doçaria caseira em abundância, daquela que sabe a infância, e uma seleção de vinhos madeirenses que acompanham cada refeição como bons amigos de longa data. Não faltam sabores do mar e da terra a convidarem-se mutuamente — do atum curado do Atlântico às iguarias que misturam gastronomia e folclore em noites onde a música regional dá o tom. Comer em São Martinho é, mais do que saciar a fome, participar numa festa dos sentidos. Terra de fé e de festa, de serra e de mar, de castanhas e de vinho novo, São Martinho é dessas freguesias que nos entram pelo coração e não nos largam. Quem a visita leva consigo a vontade de voltar — e quem nela vive sabe que habita um dos lugares mais luminosos da ilha da Madeira.