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Paredes

gentílico: Paredense
Terra do Vale do Sousa, entre pedra românica e verde de vinha.
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o que ver

sobre a localidade

No coração do concelho de Paredes, no distrito do Porto, esta freguesia guarda um rasto humano com mais de cinco mil anos e raízes no antigo concelho de Aguiar de Sousa. A Igreja Matriz preside ao lugar, ladeada de capelas, enquanto o Pelourinho e a Ponte Romana recordam caminhos antigos. Terra de vinha e de folclore, integra a Rota do Românico e a Rota dos Vinhos Verdes.

história

Há terras que se leem no chão que pisamos, e Paredes é uma delas. Muito antes de existirem estradas, sinais e fronteiras desenhadas por mãos de escrivães, já por aqui andava gente. Os vestígios arqueológicos dispersos por estas terras contam-nos uma presença humana com mais de cinco mil anos, um rasto antiquíssimo que faz de Paredes um lugar onde o tempo se acumula em camadas, como o musgo nas pedras velhas. A história de Paredes ganha corpo na sombra do antigo concelho de Aguiar de Sousa, dessa raiz medieval de que muitas terras destas paragens beberam. As suas gentes fizeram-se ao longo dos séculos de trabalho de terra e de fé, de mãos calejadas e de horizontes verdes. É uma terra de trabalho, dessas que se constroem devagar, casa a casa, campo a campo, e onde o orgulho pela pertença se transmite de avós para netos como quem passa um segredo bem guardado. Quem por aqui chega encontra património que não se deixa esquecer. A Igreja Matriz preside ao lugar com a serenidade das casas de Deus antigas, e à sua volta desdobram-se capelas que salpicam a paisagem de recolhimento e devoção. No coração das memórias comuns está o Pelourinho, símbolo de tempos em que a terra dizia da sua condição em pedra lavrada, e a Ponte Romana, testemunha silenciosa de caminhos que atravessam os séculos, por onde passaram romeiros, carroças e a lenta marcha do quotidiano. Paredes tem ainda o privilégio de integrar a Rota do Românico, esse fio de ouro que liga as igrejas e mosteiros do Vale do Sousa e do Tâmega, guardiões de uma arte sóbria e comovente. Entre os lugares de alma desta terra brilha o Mosteiro de Cete, casa monástica de raízes profundas, que ainda hoje convida ao silêncio e à contemplação, com aquela grandeza contida que só os românicos sabem ter. E porque nem só de pedra vive a memória, também a Rota dos Vinhos Verdes passa por aqui, lembrando-nos que esta é terra de vinha e de vindima, de aromas frescos e de brindes partilhados. Para quem prefere o ar livre e o convívio, o Parque da Cidade oferece um respiro de verde, um lugar onde a vida moderna se cruza com o gosto antigo de passear sem pressas. Nas tradições e nos costumes, Paredes revela a sua verdadeira feição. É terra de encontros folclóricos, onde o traje, a viola e o cavaquinho ainda fazem rodar os saiotes e bater os tamancos ao ritmo de músicas que vêm de longe. A música e a cultura correm nas veias destas gentes, e há sempre motivo para juntar vizinhos, cantar em coro e celebrar o que se é. São costumes que resistem à passagem do tempo, guardados com carinho por quem entende que uma terra sem as suas tradições é uma terra sem raízes. À mesa, Paredes recebe-nos com a fartura honesta da sua herança agrícola. O cabrito assado no forno é rei destas ementas, tenro e perfumado, dessas iguarias que se servem em dia de festa e que enchem a casa de cheiro bom. A seu lado, a sopa seca prova que a cozinha desta terra sabe fazer maravilhas com sabedoria antiga e ingredientes simples, transformando o pão e os sabores da terra em conforto de alma. Entre os produtos que a terra dá, destaca-se o melão casca de carvalho, doce e distinto, orgulho das hortas locais, e a regueifa, esse pão de festa de côdea dourada que sabe tão bem partido à mão entre amigos. Cada prato, cada produto, conta a mesma história: a de um povo que soube tirar da terra o melhor que ela tinha para dar. Paredes é, no fim de contas, tudo isto — pedra antiga e verde novo, fé e festa, mesa farta e memória viva. É uma terra que se dá a conhecer devagar, a quem tem a paciência de a ouvir, e que recompensa quem a visita com o sabor genuíno de uma pertença que resistiu ao tempo. Vale a pena vir de longe só para sentir o pulsar desta terra do Vale do Sousa.