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Brasão de Nossa Senhora da Piedade

Nossa Senhora da Piedade

O coração de Ourém, entre a Igreja Matriz e os doze lugares.
1 festa registada nesta freguesia
Brian Boru via Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0 · fonte

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sobre a localidade

No concelho de Ourém, distrito de Santarém, Nossa Senhora da Piedade nasceu da união das antigas aldeias da Cruz, dos Álamos e de Castela, e acolhe a sede concelhia. A freguesia espalha-se por doze lugares em redor da Igreja Matriz, erguida no século XVII, e guarda nos seus vestígios a memória do antigo Sellium. Terra de devoção e de sabores, onde se conhece o queijo da terra.

história

Há terras que são, em si mesmas, o coração de um concelho — e Nossa Senhora da Piedade é precisamente isso para Ourém. Guardar o nome desta freguesia é guardar o nome da própria vila, pois é aqui que bate o pulso administrativo e simbólico de toda a região. Caminhar pelas suas ruas é caminhar pela história de um lugar que soube crescer sem perder a alma, abraçando a modernidade sem renegar as pedras antigas que lhe dão identidade. A terra nasceu da união de aldeias que, com o tempo, se foram enlaçando num só destino — a Cruz, os Álamos e Castela. Dessa unificação resultou uma comunidade coesa, feita de gentes trabalhadoras e orgulhosas da sua origem. Quem passeia hoje pelos doze lugares que compõem a freguesia percebe que cada um deles traz consigo um pedaço dessa memória partilhada, uma herança que se foi sedimentando ao longo de gerações. A sede concelhia encontra-se aqui, e é essa centralidade que confere à Piedade um papel de anfitriã natural, acolhendo quem chega e orientando quem parte. O património de Nossa Senhora da Piedade é dos que fazem demorar o olhar. A Igreja Matriz de Ourém, também conhecida como Igreja de Nossa Senhora da Piedade, erguida no século XVIII, é o maior ex-líbris da freguesia e um dos pontos que todo o visitante procura. É um templo que impõe respeito e serenidade, chamando a si fiéis e curiosos ao longo de todo o ano. À sua volta, a Praça da República desenha o cenário onde a vida comunitária se concentra, com a igreja a presidir ao conjunto como quem vela por todos. Espalhadas pelo território encontram-se ainda as ermidas de São Gregório, de São Lourenço e a própria ermida de Nossa Senhora da Piedade, pequenos santuários que pontuam a paisagem e convidam ao recolhimento. Não ficam esquecidas as capelas de Santa Iria e de Nossa Senhora da Conceição, nem os testemunhos de um passado antigo como o Sellium, vestígios que falam de camadas de história acumuladas neste chão. A memória colectiva ganha forma também nos monumentos que a terra ergueu em sua própria honra. O Monumento ao Povo de Ourém celebra as gentes que fizeram esta região, enquanto o Monumento aos Pastorinhos de Fátima lembra a proximidade espiritual que marca toda a envolvente. A Fonte do Ribeirinho acrescenta o seu encanto discreto, dessas que são ponto de encontro e paragem obrigatória para quem gosta de beber do pitoresco de uma terra. E nem o viajante mais exigente ficará indiferente ao facto de, a curta distância, se abrirem horizontes maiores — a Basílica da Santíssima Trindade em Fátima, o Convento de Cristo e o Castelo de Tomar — como se a Piedade fosse também uma porta aberta para tesouros vizinhos. Nas tradições e nos costumes, a freguesia revela a devoção que lhe corre no sangue. A vida comunitária organiza-se em torno da fé e do convívio, com vigílias, recitais na Igreja Matriz e procissões à luz das velas que transformam a noite num momento de comunhão. São gestos antigos, repetidos com carinho, que mantêm vivos os laços entre vizinhos e entre gerações. Aqui, o sagrado e o festivo caminham lado a lado, e a comunidade reúne-se em redor do seu templo com a naturalidade de quem sabe que estas raízes são o que a sustenta. À mesa, Nossa Senhora da Piedade honra os seus produtos e os seus sabores. A gastronomia local é motivo de orgulho, com muitos pratos típicos da região que o visitante não deve deixar escapar. Há iniciativas pensadas de propósito para dar palco a estas delícias, como o certame gastronómico que se estende por todo um mês, e festivais que casam a boa comida com a música e com causas solidárias — porque, por estas bandas, partilhar à mesa é também partilhar com o próximo. Entre as iguarias que ganharam fama, destaca-se o queijo da terra, idealizado por Frei Rosário, um produto que carrega consigo o engenho de quem o pensou e o sabor genuíno de uma região que sabe tratar bem quem a visita. Provar este queijo é provar um pouco da identidade da Piedade, dessas que entram pela boca e ficam na memória. No fim, Nossa Senhora da Piedade é terra para se conhecer sem pressas: pelo templo que a define, pelas ermidas espalhadas, pelas gentes acolhedoras e pelos sabores que ficam. É o coração de Ourém a pulsar devagar, à espera de quem a queira descobrir.