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Gandra

Gandra é uma freguesia antiga do concelho de Ponte de Lima, documentada desde o século XII e outrora integrada na Terra de Penela sob o orago de S.
1 festa registada nesta freguesia

festas nesta freguesia1

sobre a localidade

Gandra é uma freguesia antiga do concelho de Ponte de Lima, documentada desde o século XII e outrora integrada na Terra de Penela sob o orago de S. Martinho. O seu património guarda-se em pequenos templos como as capelas da Senhora da Conceição e de São Sebastião, enquanto a vizinha vila limiana oferece monumentos maiores, da ponte sobre o rio à Igreja Matriz e aos paços e mosteiros em redor. A vida da terra organiza-se em torno da fé, dos ciclos agrícolas e do convívio comunitário, numa paisagem tipicamente minhota. À mesa brilham o arroz de sarrabulho à moda de Ponte de Lima, a lampreia e o bacalhau de cebolada, heranças de uma cozinha transmitida ao longo de gerações.

história

Há terras que se guardam na memória antiga de Portugal muito antes de o reino se afirmar por inteiro, e Gandra, no coração do concelho de Ponte de Lima, é uma dessas. O seu nome surge pela primeira vez numa escritura do Mosteiro de Vimieiro, em meados do século XII, prova de que já ali havia gente, lavoura e devoção quando o país era ainda jovem. Décadas mais tarde, nas Inquirições de D. Afonso II, a terra aparece registada como 'De Sancto Martino de Gandera' e integrada na antiga Terra de Penela, uma circunscrição que organizava estes vales do Lima e as suas comunidades. Ao longo dos séculos, Gandra foi atravessando os registos que davam conta da vida das paróquias e dos seus encargos. No tempo de D. Dinis, S. Martinho de Gandra pagava ao arcebispo de Braga a mais modesta das contribuições de toda a Terra de Penela — sinal de uma freguesia pequena, de gente de trabalho, que vivia da terra e da água sem grandes fastos. Mais tarde, surge também mencionada no Livro dos Benefícios e Comendas, inscrita entre as paróquias cujos rendimentos eram cuidadosamente anotados. São estes apontamentos, secos à primeira vista, que nos deixam adivinhar gerações de camponeses, de romarias e de campanários a marcar o compasso dos dias. Quem percorre Gandra hoje encontra uma freguesia fiel ao Minho que a rodeia: um território de verdes profundos, de searas e de encostas trabalhadas com paciência, onde a presença do homem se nota no cuidado de cada canto. O património religioso é o guardião mais visível dessa alma antiga. A Capela da Senhora da Conceição e a Capela de São Sebastião são os pontos que convém procurar, pequenos templos que concentram a fé e a memória colectiva da terra, lugares onde as gentes se reúnem desde tempos imemoriais e onde a história se faz oração. Mas Gandra não se entende sem a vila que lhe serve de centro e de horizonte: Ponte de Lima, uma das povoações mais formosas de todo o norte do país. A pouca distância, o viajante encontra a imponente Ponte sobre o Lima, que atravessa o rio com a solenidade de quem o faz há séculos, e a Igreja Matriz, classificada como monumento de interesse público. Vale ainda a visita à Capela do Espírito Santo, ao Paço de Calheiros com a sua igreja, e, mais além, ao Mosteiro de Santa Maria de Refóios do Lima, sem esquecer capelas de recorte singelo como a do Anjo da Guarda e a do Divino Espírito Santo. É todo um conjunto de pedra e devoção que faz destas margens um dos lugares mais ricos em alma que Portugal tem para oferecer. As tradições de Gandra respiram ao ritmo das estações e da fé que a sustenta. Como em todo o Minho profundo, a vida comunitária organiza-se em torno das festividades religiosas, dos santos protectores e dos ciclos agrícolas, que juntam vizinhos, famílias e emigrantes de regresso à terra de origem. É nestas ocasiões que se percebe o que há de mais verdadeiro na freguesia: o sentido de pertença, a hospitalidade e o orgulho sereno de quem é daqui. E não longe, em Ponte de Lima, celebram-se as célebres Feiras Novas, com o seu rodopio de cultura e devoção, hoje reconhecidas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial — festa maior que irradia por todas as freguesias em redor. À mesa, Gandra partilha a nobreza da cozinha limiana, uma das mais apreciadas do país. Reina o Arroz de Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima, prato de sabor forte e enraizado, distinguido como especialidade tradicional garantida, que condensa num só preparado toda a sabedoria das receitas passadas de avós para netos. A ele juntam-se a lampreia, que o rio oferece nas épocas certas, e o bacalhau de cebolada, dois clássicos que confirmam a riqueza desta gastronomia. São sabores que exigem tempo, dedicação e produtos da terra, e que fazem de uma simples refeição um acto de identidade. Visitar Gandra é, no fundo, deixar-se levar por este Minho antigo e genuíno — de pedra, de verde, de fé e de boa mesa.