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Brasão de Carregosa

Carregosa

gentílico: Carregosense
Entre campos e lugares do coração da Terra de Santa Maria.
1 festa registada nesta freguesia
Brian Boru via Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0 · fonte

festas nesta freguesia1

o que ver

sobre a localidade

Carregosa fica no concelho de Oliveira de Azeméis, no distrito de Aveiro, numa zona de suave relevo entre campos agrícolas e povoados dispersos. A paisagem alterna terrenos de cultivo com pequenos núcleos habitacionais, num território marcado pela tradição rural da antiga Terra de Santa Maria. É uma freguesia onde o quotidiano se organiza em torno dos seus lugares e das festas que reúnem a comunidade.

história

Há terras que guardam o tempo em camadas, como quem guarda tesouros numa arca antiga, e Carregosa, no concelho de Oliveira de Azeméis, é uma dessas. Para encontrar as suas raízes é preciso recuar muito, até às brumas da pré-história, quando os primeiros povos escolheram estas encostas para viver. Dessa época longínqua ficou-nos uma mamoa, mencionada já nas Inquirições de D. Afonso III, testemunho silencioso de uma presença celta que marcou o chão antes de qualquer palavra escrita. Depois vieram os romanos, e deles ficaram sinais discretos mas eloquentes: topónimos como 'villa de Zagães' e as antigas 'casalia' falam-nos de uma passagem que deixou marca na terra e nos nomes. Mais tarde, quando o Império Romano do Ocidente ruiu e novos povos chegaram, foi a vez de outros pobladores se fixarem por aqui — o topónimo Teamonde é como que uma assinatura desses tempos de mudança, quando a Europa se reinventava e também estas colinas acolhiam gente nova. O documento mais antigo que fala de Carregosa remonta ao ano de 922, uma carta de doação em que o rei Ordonho entrega bens ao bispo Gonçalo e ao Mosteiro de Crestuma. É um daqueles papéis venerandos que nos permitem imaginar a terra já viva há mais de mil anos, com as suas gentes, os seus caminhos e os seus trabalhos. Ao longo dos séculos, Carregosa fez parte do termo da Feira e, mais tarde, integrou-se no concelho de Oliveira de Azeméis, caminhando sempre ligada às terras vizinhas sem nunca perder a sua identidade própria. Quem percorre Carregosa não deixa de reparar na Igreja Matriz, orgulho da freguesia, com as suas duas torres a desenharem-se no céu e um relógio que marca o compasso dos dias. O átrio, com os seus jardins, convida à pausa, e os azulejos que vestem a fachada dão-lhe aquela luz azul e branca tão nossa, tão portuguesa, que faz brilhar a pedra ao sol. É um templo que fala tanto de fé como de arte, e que recebe quem chega com a serenidade das coisas que atravessaram gerações. Nos arredores, outros lugares de alma esperam o visitante. A Igreja de Mosteiro guarda a memória de tempos antigos, e a Ponte das Barrosas, com o seu arco debruçado sobre a água, é daquelas obras que parecem feitas para que o viajante se detenha e respire. Mais além, em Vilar, ergue-se a antiga Capela de São Lourenço, datada de 1709, pequena e recolhida, mas carregada de histórias que o tempo não apaga. E para quem gosta de abraçar a paisagem de uma só vez, o Miradouro das Sete Cidades oferece o descanso dos olhos sobre o relevo generoso destas terras. Nas imediações, a Casa-Museu Ferreira de Castro recorda que esta é também terra de letras e de memória viva. As tradições de Carregosa são das que se vivem na rua e em comunidade, com aquele calor que só as terras pequenas sabem guardar. Há o espírito das coletividades, que juntam as gentes em festa de porta aberta, e há tradições de longa data que atravessam os anos sem perderem o viço, mostrando como aqui o convívio e a partilha são o verdadeiro cimento da povoação. É nesse enlace entre o devoto e o festivo, entre a oração e a alegria, que se revela a alma de uma freguesia que nunca esqueceu as suas raízes. À mesa, Carregosa partilha a riqueza das terras de Oliveira de Azeméis, onde se come bem e com fartura. As vinhas que cobrem as encostas da freguesia dão testemunho de uma gente ligada ao cultivo paciente da terra. E depois há toda uma gastronomia que faz água na boca: o pão de Ul e a broa, o arroz de ossos da suã, a vitela assada em forno de lenha que perfuma as cozinhas, o anho à moda de Fajões e a boa bacalhoada. Para rematar, a doçaria encanta com as regueifas de Ul, os beijinhos de Azeméis e as queijadinhas de cenoura — delícias que resumem, num só bocado, a doçura destas paragens. Carregosa é, assim, terra para conhecer devagar, provar sem pressa e guardar na memória.