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Brasão de Batalha

Batalha

Nascida à sombra do mosteiro erguido em memória de Aljubarrota.
1 festa registada nesta freguesia
Brian Boru via Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0 · fonte

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sobre a localidade

Na Batalha, sede do concelho com o mesmo nome, no distrito de Leiria, a povoação cresceu em redor do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, erguido em gratidão pela vitória de Aljubarrota em 1385. A Igreja Matriz da Exaltação de Santa Cruz foi iniciada em 1514 por D. Manuel, e no Reguengo do Fetal a igreja matriz remonta a 1512. É terra de ofícios e de artes do barro.

história

Há terras que nascem à sombra de um feito grande, e a Batalha é uma dessas. O seu destino ficou para sempre ligado ao Mosteiro de Santa Maria da Vitória, erguido em gratidão pela vitória conquistada na Batalha de Aljubarrota, em 1385. Foi em redor desta promessa cumprida em pedra que a povoação cresceu, agarrada ao mosteiro como quem se agarra a uma memória que não quer deixar partir. A história das suas gentes está entrelaçada com a história da própria construção. Quem passeia por aqui respira ainda o engenho dos homens que ergueram o monumento, entre eles figuras como Marco Pires, nome que ficou ligado à memória artística e laboriosa desta terra. A Batalha foi lugar de ofícios, de mãos habilidosas e de um saber que se foi transmitindo de geração em geração. Com o tempo, a terra afirmou-se também pelo seu património cultural e industrial, chegando a integrar a Associação Portuguesa de Cidades e Vilas de Cerâmica, prova de que o engenho dos antigos encontrou continuidade nas artes do barro e do fabrico. O património da Batalha é daqueles que deixam qualquer visitante de boca aberta. O Mosteiro da Batalha, com a sua grandeza, guarda tesouros como a Capela do Fundador, lugar de recolhimento e de memória, e as célebres Capelas Imperfeitas, inacabadas mas de uma beleza que nenhum acabamento conseguiria superar. São exemplos maiores da arquitectura manuelina, onde a pedra parece ganhar vida em rendilhados e detalhes que prendem o olhar durante horas. Mas a alma desta freguesia não se esgota no mosteiro. No Reguengo do Fetal ergue-se a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, lugar de fé e de devoção que vale a visita. E para quem gosta de calçar as botas e sentir o chão sob os pés, o Trilho do Buraco Roto e a Pia das Ovelhas abrem caminho pela natureza, convidando a descobrir recantos escondidos da paisagem. Perto fica ainda o Campo de Batalha e o Museu de Aljubarrota, onde a história do célebre embate ganha corpo e contexto, trazendo para o presente aquilo que aconteceu há séculos. Nas tradições e costumes, a Batalha mantém viva a sua identidade rural. As festas populares celebram a cultura, a gastronomia e a força do homem do campo, com rituais, desfiles, trajes, música e comidas típicas que mostram o orgulho das gentes nas suas raízes. É uma terra que não esquece quem trabalhou a terra e os animais, e que faz questão de honrar essa herança em momentos de convívio e alegria partilhada. O gosto pelo encontro, pela mesa farta e pela música são marcas de uma comunidade que sabe celebrar. E já que falamos de mesa, a gastronomia da Batalha merece capítulo próprio, porque é aqui que a terra se revela em todo o seu sabor. O Tachadéu é um dos pratos que melhor conta a história desta cozinha, feita de tradição e de paciência. As Morcelas de Arroz enchem a mesa de sabores fortes, enquanto as Tibornadas de Bacalhau trazem o conforto das receitas de sempre. Para adoçar a boca, há as Cavacas do Reguengo do Fetal, verdadeira marca da terra, e toda uma coleção de doces que fazem as delícias de quem por aqui passa: bolos de ferradura, bolos de perna, bolos de palma, cavacas e os afamados pudins da Batalha. Nada disto se entende sem os produtos que a terra oferece com generosidade: o mel, o azeite, os licores, o vinho e os enchidos, que dão corpo e carácter a esta cozinha. São sabores que se mostram orgulhosamente nas feiras e festas locais, onde o visitante prova e leva consigo um pedaço desta terra. A Batalha é, assim, uma freguesia onde a história se vê na pedra, se ouve nas tradições e se saboreia à mesa. Uma terra que soube transformar uma vitória antiga numa identidade que resiste ao tempo, e que continua a receber de braços abertos quem a quer conhecer.